{"id":1125,"date":"2026-10-23T12:12:26","date_gmt":"2026-10-23T15:12:26","guid":{"rendered":"https:\/\/swamitripurari.com.br\/?p=1125"},"modified":"2026-10-23T12:19:19","modified_gmt":"2026-10-23T15:19:19","slug":"ramai-thakura-e-ananga-manjari-samputika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/swamitripurari.com.br\/index.php\/2026\/10\/23\/ramai-thakura-e-ananga-manjari-samputika\/","title":{"rendered":"R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura e Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Swami \u015ar\u012b Bhaktivedanta Tripurari, extra\u00eddo de seu novo livro, C\u00edrculo de Amigos, como parte de uma s\u00e9rie de artigos sobre Balar\u0101ma Tattva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o desaparecimento de J\u0101hn\u0101va deste mundo, ocasi\u00e3o em que ela passou a ser identificada com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b, R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura estabeleceu-se em Baghnapara, na Bengala, um lugar cujo nome se deve \u00e0 abund\u00e2ncia de tigres-de-bengala na regi\u00e3o. Diz-se que R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura foi capaz de domar um tigre por meio de seu canto de <em>harin\u0101ma<\/em> e que, dessa forma, conquistou a f\u00e9 dos habitantes locais com seu convincente exemplo de poder espiritual. Uma vez estabelecido ali, R\u0101m\u0101i fundou sua pr\u00f3pria escola de pensamento, firmemente baseada na teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, embora divergisse dela em alguns pontos, especialmente no que diz respeito ao Baladeva <em>tattva<\/em> e a Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b\/J\u0101hn\u0101va. Esse afastamento \u00e9 evidente no livro de R\u0101m\u0101i, <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>. Embora seja um devoto not\u00e1vel pelo exemplo que deu, seus esfor\u00e7os teol\u00f3gicos deixam algo a desejar quando comparados \u00e0 teologia coesa e fundamentada nas escrituras dos Gosv\u0101m\u012bs, \u00e0 qual os estudiosos da <em>samprad\u0101ya<\/em> se habituaram. Al\u00e9m disso, pode-se argumentar que esses esfor\u00e7os, por vezes, contradizem os <em>\u0101c\u0101ryas<\/em> fundadores<em> da tradi\u00e7<\/em>\u00e3o Gau\u1e0d\u012bya.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em> \u00e9 uma obra em bengali que intercala, aqui e ali, cita\u00e7\u00f5es em s\u00e2nscrito de fontes obscuras para sustentar algumas de suas concep\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas. <em>Dhara\u1e47\u012b-\u015be\u1e63a-sa\u1e41v\u0101da<\/em> \u00e9 um desses textos, e \u00e9 nele que o livro mais se apoia como <em>pram\u0101\u1e47a<\/em> escritural. Por vezes, considera-se que esse texto seja uma se\u00e7\u00e3o do <em>Brahm\u0101\u1e47\u1e0da Pur\u0101\u1e47a<\/em>, na forma de um di\u00e1logo entre a Terra e \u015ae\u1e63a. No entanto, depois de examinar minuciosamente duas edi\u00e7\u00f5es desse <em>Pur\u0101\u1e47a<\/em>, n\u00e3o encontrei tal di\u00e1logo.<sup data-fn=\"1c9eb000-ae53-4075-9461-5d791422cfdc\" class=\"fn\"><a href=\"#1c9eb000-ae53-4075-9461-5d791422cfdc\" id=\"1c9eb000-ae53-4075-9461-5d791422cfdc-link\">1<\/a><\/sup> Outra obra na qual R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura se apoia \u00e9 <em>Bhajana-candrik\u0101<\/em>. O autor desse livro \u00e9 V\u1e5bnd\u0101vana Candra d\u0101sa, membro do Nity\u0101nanda <em>pariv\u0101ra<\/em>. Nenhuma dessas obras \u00e9 citada em qualquer texto central da tradi\u00e7\u00e3o Gau\u1e0d\u012bya, e ambas chegam a conclus\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o contempladas pelos <em>\u0101c\u0101ryas<\/em> fundadores da <em>samprad\u0101ya<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira onda (<em>lahar\u012b<\/em>) da obra de R\u0101m\u0101i concentra-se em <em>\u015bakti-tattva<\/em> e traz como subt\u00edtulo<em> \u015bakti-tattva-vic\u0101ra<\/em> (\u201cDelibera\u00e7\u00e3o sobre <em>\u015aakti-Tattva<\/em>\u201d). As tr\u00eas ondas seguintes s\u00e3o <em>rasa-kautuka<\/em> (\u201cO Jogo de <em>Rasa<\/em>\u201d), <em>y\u016btha-vivara\u1e47a<\/em> (\u201cDescri\u00e7\u00e3o do Grupo de Ana\u1e45ga\u201d) e uma segunda <em>y\u016btha-vivara\u1e47a<\/em>, que inclui <em>atha sampr\u0101rthan\u0101<\/em> (\u201cOra\u00e7\u00f5es Finais\u201d). O texto completo consiste em 184 versos. Foi escrito em algum momento entre 1590 e 1610, antes do <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em> (1615). Examinemos primeiro sua se\u00e7\u00e3o sobre <em>\u015bakti-tattva<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em versos bengalis, essa onda se inicia com os tradicionais louvores ao <em>guru<\/em>, a \u015ar\u012b Caitanya, Nity\u0101nanda-r\u0101ma, Advaita e Gad\u0101dhara. Em seguida, v\u00eam os louvores \u00e0s esposas de Nity\u0101nanda, J\u0101hn\u0101va e Vasudh\u0101, e ao filho de Vasudh\u0101 e c\u00e9lebre disc\u00edpulo de J\u0101hn\u0101va, V\u012bracandra. Os versos 1.10 e 1.11 est\u00e3o em s\u00e2nscrito, e a segunda linha do verso 1.10 declara o seguinte: <em>nama\u1e25 k\u1e5b\u1e63\u1e47a-svar\u016bp\u0101ya nam\u0101my ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012bm<\/em>, \u201cOfere\u00e7o meu <em>pra\u1e47\u0101ma<\/em> \u00e0 <em>svar\u016bpa<\/em> de K\u1e5b\u1e63\u1e47a, Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b.\u201d Esses versos em s\u00e2nscrito s\u00e3o seguidos por versos em bengali que afirmam que Nity\u0101nanda possui a forma de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u2014 <em>sei tanu ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b<\/em> \u2014 e que Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u00e9 a <em>\u015bakti<\/em> de Balar\u0101ma \u2014 <em>r\u0101dh\u0101ra anuj\u0101 yei, balar\u0101ma \u015bakti sei<\/em>. R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura fundamenta essa \u00faltima afirma\u00e7\u00e3o com um verso em s\u00e2nscrito do <em>Bhajana-candrik\u0101<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, em seu pr\u00f3prio verso em bengali (1.18), R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura afirma enfaticamente que K\u1e5b\u1e63\u1e47a, Balar\u0101ma e R\u0101dh\u0101 s\u00e3o um s\u00f3 \u2014 <em>r\u0101dh\u0101-k\u1e5b\u1e63\u1e47a balar\u0101ma, aikya vastu<\/em>. Ele acrescenta que o <em>dh\u0101ma<\/em> deles, seu <em>ai\u015bvarya<\/em>, seu <em>m\u0101dhurya<\/em> e seu <em>prema<\/em> s\u00e3o todos um s\u00f3 e que n\u00e3o se deve pensar de outra forma. Nos versos 1.19\u201321, ele identifica R\u0101ma com a <em>sat-\u015bakti<\/em>, K\u1e5b\u1e63\u1e47a com a <em>cit-\u015bakti<\/em> e R\u0101dh\u0101 com a <em>\u0101nanda-\u015bakti<\/em>. Assim, ele parece dizer que o Absoluto \u00e9 <em>sat-cit-\u0101nanda<\/em> e se personifica nessas tr\u00eas pessoas, que, portanto, s\u00e3o uma s\u00f3. R\u0101m\u0101i fundamenta isso com uma refer\u00eancia ao <em>Dhara\u1e47\u012b-\u015be\u1e63a-sa\u1e41v\u0101da<\/em>, cuja \u00faltima linha acrescenta algo controverso \u2014 <em>sad-\u0101nand\u0101m\u015bato r\u0101ma\u1e25 pu\u1e41 prak\u1e5bty\u0101tmaka\u1e25 para\u1e25<\/em>: \u201cO aspecto <em>sat<\/em> de Balar\u0101ma manifesta-se tanto como <em>puru\u1e63a<\/em> quanto como <em>prak\u1e5bti<\/em> [masculino e feminino].\u201d R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura ent\u00e3o diz a seus leitores que o Absoluto \u00e9<em> sat-cit-\u0101nanda<\/em> e se manifesta como tr\u00eas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O verso 1.29 \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o do <em>Bhajana-candrik\u0101<\/em> que afirma haver dois tipos de <em>l\u012bl\u0101s<\/em>, internas e externas, ambas eternas. As primeiras se manifestam de muitas formas, ao passo que as \u00faltimas s\u00e3o descritas como secretas. R\u0101m\u0101i entende com isso que as <em>l\u012bl\u0101s<\/em> externas se referem \u00e0s de Balar\u0101ma manifestas em sua forma masculina, em <em>d\u0101sya<\/em>, <em>sakhya<\/em> e <em>v\u0101tsalya<\/em>. Ele prossegue explicando algo sobre o <em>sa\u1e45kula-bh\u0101va <\/em>de Balar\u0101ma, sem empregar esse termo, citando exemplos proeminentes do <em>Bh\u0101gavatam<\/em> que ilustram o amor servil, fraternal e parental de R\u0101ma. Ent\u00e3o, antes de concluir a primeira onda, R\u0101m\u0101i afirma que, quando os aspectos <em>sat<\/em> e <em>cit<\/em> se combinam, manifestam-se a forma masculina e os passatempos de Balar\u0101ma. Isso \u00e9 um tanto confuso, pois ele j\u00e1 havia dito que Balar\u0101ma \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de <em>sat<\/em> em si mesmo. Mas talvez ele queira dizer que Balar\u0101ma preside sobre <em>sat<\/em> e a <em>sandhin\u012b-\u015bakti<\/em>, embora ele pr\u00f3prio, naturalmente, seja constitu\u00eddo de <em>sat-cit-\u0101nanda<\/em>. Em seguida, como introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda onda, R\u0101m\u0101i afirma que \u00e9 do aspecto <em>\u0101nanda<\/em> de Balar\u0101ma que se manifestam suas <em>l\u012bl\u0101s<\/em> internas e secretas, aludindo \u00e0 forma feminina por ele proposta, tema da segunda onda do texto \u2014 <em>rasa-kautuka<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos pontos da primeira onda destacados acima, a ideia de que Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u00e9 a <em>svar\u016bpa<\/em> de K\u1e5b\u1e63\u1e47a e de que Nity\u0101nanda tamb\u00e9m \u00e9 a forma de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b constitui uma confus\u00e3o entre <em>tattvas<\/em>. A ideia de que Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u00e9 a <em>\u015bakti<\/em> de Balar\u0101ma decorre, naturalmente, da ideia de que ela \u00e9 a <em>svar\u016bpa<\/em> de J\u0101hn\u0101va na Vraja <em>l\u012bl\u0101<\/em>. Esse ponto talvez seja mais inovador do que controverso.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00eanfase de R\u0101m\u0101i na unidade de R\u0101dh\u0101, K\u1e5b\u1e63\u1e47a e Balar\u0101ma acende um sinal amarelo de alerta, enquanto a ideia de que Balar\u0101ma possui formas masculina e feminina faz esse sinal passar ao vermelho. Quanto ao sinal amarelo, segundo a teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, K\u1e5b\u1e63\u1e47a e Balar\u0101ma s\u00e3o um, e K\u1e5b\u1e63\u1e47a e R\u0101dh\u0101 s\u00e3o um. Mas isso n\u00e3o significa que, pelo fato de K\u1e5b\u1e63\u1e47a e Balar\u0101ma serem um e K\u1e5b\u1e63\u1e47a e R\u0101dh\u0101 serem um, Balar\u0101ma e R\u0101dh\u0101 sejam, portanto, n\u00e3o diferentes. Por que n\u00e3o? Porque o sentido em que K\u1e5b\u1e63\u1e47a e Balar\u0101ma s\u00e3o um \u00e9 diferente daquele em que R\u0101dh\u0101 e K\u1e5b\u1e63\u1e47a s\u00e3o um. Balar\u0101ma e K\u1e5b\u1e63\u1e47a s\u00e3o ambos Vi\u1e63\u1e47u <em>tattva<\/em>\/<em>\u015baktim\u0101n<\/em>. Balar\u0101ma \u00e9 o <em>vaibhava-prak\u0101\u015ba<\/em> de K\u1e5b\u1e63\u1e47a, ao passo que R\u0101dh\u0101 \u00e9 a <em>\u015bakti<\/em> de K\u1e5b\u1e63\u1e47a, com a qual ele \u00e9 simultaneamente um e diferente enquanto <em>\u015bakti<\/em> e <em>\u015baktim\u0101n<\/em>. E, naturalmente, Balar\u0101ma tamb\u00e9m possui sua contraparte enquanto <em>\u015bakti<\/em>, com a qual ele \u00e9 um e diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao sinal vermelho, ele indica algo sem precedentes na teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, na qual o Balar\u0101ma <em>tattva <\/em>\u00e9 explicado extensamente. E quando o texto d\u00e1 a entender que as <em>l\u012bl\u0101s<\/em> femininas, internas e supostamente secretas de Balar\u0101ma constituem a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos devotos mais <em>rasikas<\/em>, isso tampouco favorece sua argumenta\u00e7\u00e3o. Mas, para sermos justos, nesta se\u00e7\u00e3o R\u0101m\u0101i demonstra estar familiarizado com a perspectiva predominante da tradi\u00e7\u00e3o Gau\u1e0d\u012bya sobre o Balar\u0101ma <em>tattva<\/em> e, de forma sucinta, a representa com precis\u00e3o. Sem argumentar contra ela nem pretender contradiz\u00ea-la, ele prossegue afirmando que h\u00e1 ainda outro aspecto interior de Balar\u0101ma, que R\u0101m\u0101i, ao que podemos supor, foi escolhido para revelar.<sup data-fn=\"3b61ae7c-329e-4d89-93f5-cd0978fd821c\" class=\"fn\"><a href=\"#3b61ae7c-329e-4d89-93f5-cd0978fd821c\" id=\"3b61ae7c-329e-4d89-93f5-cd0978fd821c-link\">2<\/a><\/sup> Ao desenvolver essa revela\u00e7\u00e3o, \u00e9 peculiar sua concep\u00e7\u00e3o de que Balar\u0101ma, em sua forma masculina, resulta da combina\u00e7\u00e3o de seus aspectos <em>sat<\/em> e <em>cit<\/em>, assim como a ideia de que \u00e9 do aspecto <em>\u0101nanda<\/em> de Balar\u0101ma que se manifesta seu aspecto feminino, sobretudo quando, na segunda onda, ele passa a explicar que esse aspecto feminino \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do <em>sat<\/em> de Balar\u0101ma combinado com seu <em>\u0101nanda<\/em>. De fato, na pr\u00e1tica, R\u0101m\u0101i parece ter deixado o Balar\u0101ma masculino sem <em>\u0101nanda<\/em> e o Balar\u0101ma feminino sem <em>cit<\/em>. Embora seja dif\u00edcil imaginar que ele pretenda dizer isso, no m\u00ednimo sua exposi\u00e7\u00e3o exige maior clareza.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda onda nos apresenta um exemplo da participa\u00e7\u00e3o de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b na <em>l\u012bl\u0101<\/em>. No entanto, essa narrativa \u00e9 precedida por dezoito versos nos quais aprendemos o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 o aspecto <em>sat<\/em> de Balar\u0101ma que possui tanto uma express\u00e3o masculina quanto feminina (2.4, citando o <em>Dhara\u1e47\u012b-\u015be\u1e63a-sa\u1e41v\u0101da<\/em>).<\/li>\n\n\n\n<li>A s\u00edlaba <em>r\u0101<\/em> em R\u0101ma \u00e9 R\u0101dh\u0101, e a s\u00edlaba <em>ma<\/em> em seu nome \u00e9 Madhusudana\/K\u1e5b\u1e63\u1e47a (2.9, citando o <em>Dhara\u1e47\u012b-\u015be\u1e63a-sa\u1e41v\u0101da<\/em>). Isso, naturalmente, implica que R\u0101ma \u00e9 R\u0101dh\u0101 e K\u1e5b\u1e63\u1e47a.<\/li>\n\n\n\n<li>Da uni\u00e3o de <em>sat<\/em> e <em>\u0101nanda<\/em>, Balar\u0101ma passa a existir (2.12, citando o <em>Dhara\u1e47\u012b-\u015be\u1e63a-sa\u1e41v\u0101da<\/em>).<\/li>\n\n\n\n<li>Em seu aspecto <em>\u0101nanda<\/em>, Balar\u0101ma assume uma tez amarela, imbu\u00eddo do sentimento de R\u0101dh\u0101 (2.14).<\/li>\n\n\n\n<li>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u00e9 outra forma de R\u0101dh\u0101, n\u00e3o diferente dela (2.15).<\/li>\n\n\n\n<li>Balar\u0101ma assume a forma de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b para dar prazer a K\u1e5b\u1e63\u1e47a (2.16).<\/li>\n\n\n\n<li>Em seu aspecto <em>\u0101nanda<\/em>, Balar\u0101ma \u00e9 a pr\u00f3pria R\u0101dhik\u0101 (2.17, citando o <em>Rasa-kalpataru<\/em>).<sup data-fn=\"e57a0aed-72bf-4b5a-be46-8ae2fd7e8bab\" class=\"fn\"><a href=\"#e57a0aed-72bf-4b5a-be46-8ae2fd7e8bab\" id=\"e57a0aed-72bf-4b5a-be46-8ae2fd7e8bab-link\">3<\/a><\/sup><\/li>\n\n\n\n<li>Por meio de Balar\u0101ma, R\u0101dh\u0101 aparece na forma de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b e, assim, Balar\u0101ma \u00e9 R\u0101dh\u0101, que, por sua vez, \u00e9 Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b (2.18).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Diz-se que a narrativa de <em>l\u012bl\u0101<\/em> desta onda \u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o de uma passagem do <em>Bhajana-candrik\u0101<\/em>. Esta, por sua vez, parece ser uma elabora\u00e7\u00e3o das investidas amorosas de K\u1e5b\u1e63\u1e47a a Ana\u1e45ga citadas no <em>Mukt\u0101-carita.<\/em> No<em> l\u012bl\u0101-grantha<\/em> de Raghun\u0101tha d\u0101sa Gosv\u0101m\u012b, K\u1e5b\u1e63\u1e47a e Ana\u1e45ga n\u00e3o levam isso adiante, mas, na elabora\u00e7\u00e3o de R\u0101m\u0101i, eles o fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa come\u00e7a com uma descri\u00e7\u00e3o detalhada da beleza e dos ornamentos de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b. Aqui, ela tamb\u00e9m \u00e9 descrita como uma <em>y\u016bthe\u015bvar\u012b<\/em>, enquanto se dirige \u00e0 floresta para encontrar K\u1e5b\u1e63\u1e47a, acompanhada de seu pr\u00f3prio grupo. Na narrativa, K\u1e5b\u1e63\u1e47a afirma que a <em>y\u016bthe\u015bvar\u012b<\/em> Ana\u1e45ga \u00e9 mais gloriosa do que as demais <em>y\u016bthe\u015bvar\u012bs<\/em> e at\u00e9 mesmo mais gloriosa do que a pr\u00f3pria R\u0101dh\u0101. Ele est\u00e1 ansioso por unir-se amorosamente a ela e lhe diz isso. Ent\u00e3o, outras <em>y\u016bthe\u015bvar\u012bs<\/em>, incluindo R\u0101dh\u0101, chegam, e todas encorajam Ana\u1e45ga a unir-se amorosamente a K\u1e5b\u1e63\u1e47a, o que ela faz. Depois dessa uni\u00e3o amorosa, as servas de Ana\u1e45ga servem R\u0101dh\u0101 e K\u1e5b\u1e63\u1e47a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na segunda onda de R\u0101m\u0101i, Ana\u1e45ga \u00e9 considerada Bhagav\u0101n, R\u0101dh\u0101 e K\u1e5b\u1e63\u1e47a combinados, R\u0101dh\u0101, uma l\u00edder de grupo distinta de R\u0101dh\u0101, com suas pr\u00f3prias servas, e ela pr\u00f3pria uma <em>ma\u00f1jar\u012b<\/em>, ao menos nominalmente, embora aja de uma maneira que n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica de <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va<\/em> \u2014 como uma <em>n\u0101yik\u0101<\/em>. E, na concep\u00e7\u00e3o de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura, tudo isso deve ser inclu\u00eddo no Balar\u0101ma <em>tattva<\/em>. No entanto, essa teologia carece seriamente de respaldo nas escrituras. Os textos citados s\u00e3o, na melhor das hip\u00f3teses, obscuros, e o racioc\u00ednio apresentado com base nessas evid\u00eancias n\u00e3o soa com a for\u00e7a conclusiva de <em>siddh\u0101nta<\/em> \u00e0 qual os estudantes da teologia dos Gosv\u0101m\u012bs est\u00e3o acostumados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira e na quarta ondas, R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura descreve e nomeia v\u00e1rias <em>sakh\u012bs<\/em> que participam da <em>l\u012bl\u0101<\/em> narrada na terceira onda. O que se destaca aqui \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de R\u0101m\u0101i de que os Gosv\u0101m\u012bs, em suas <em>ma\u00f1jar\u012b-svar\u016bpas<\/em>, lideram o grupo de <em>ma\u00f1jar\u012bs<\/em> de Ana\u1e45ga<em>.<\/em> No entanto, segundo a teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, esses Gosv\u0101m\u012bs s\u00e3o as principais <em>ma\u00f1jar\u012bs<\/em> dentro do <em>y\u016btha<\/em> de R\u0101dh\u0101. Extraindo dessas ondas implica\u00e7\u00f5es <em>rasikas<\/em>, os seguidores da teologia de R\u0101m\u0101i afirmam que a caracter\u00edstica singular do grupo de Ana\u1e45ga \u00e9 oferecer, \u00e0queles em <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va<\/em>, a atra\u00e7\u00e3o adicional da uni\u00e3o direta com K\u1e5b\u1e63\u1e47a. No entanto, tais afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o question\u00e1veis, pois, como j\u00e1 mencionado, os Gosv\u0101m\u012bs situam a si mesmos no grupo de R\u0101dh\u0101, e n\u00e3o no de Ana\u1e45ga. E, dentro do grupo de R\u0101dh\u0101, eles s\u00e3o reconhecidamente r\u016bp\u0101nugas, seguidores de R\u016bpa-ma\u00f1jar\u012b, e n\u00e3o ana\u1e45g\u0101nugas, por assim dizer. Al\u00e9m disso, como sabemos, o <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va <\/em>dessas ma\u00f1jar\u012bs caracteriza-se por uma firme oposi\u00e7\u00e3o a qualquer uni\u00e3o amorosa entre elas pr\u00f3prias e K\u1e5b\u1e63\u1e47a, mesmo que o pr\u00f3prio K\u1e5b\u1e63\u1e47a a proponha. Esse \u00e9 o seu extremo R\u0101dh\u0101 <em>d\u0101syam<\/em>, que \u00e9 mais agrad\u00e1vel a K\u1e5b\u1e63\u1e47a do que a uni\u00e3o com qualquer uma delas. De fato, pode-se argumentar que K\u1e5b\u1e63\u1e47a sugere tal uni\u00e3o apenas para contemplar e saborear o R\u0101dh\u0101 <em>d\u0101syam<\/em> delas, expresso em sua resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ao t\u00e9rmino de sua quarta onda, R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura ora, com grande anseio e humildade, para entrar na Vraja <em>l\u012bl\u0101<\/em> no grupo de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Qu\u00e3o bem-sucedido, ent\u00e3o, foi o esfor\u00e7o de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura? A resposta a essa pergunta depende do crit\u00e9rio que se adote. R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura e seu texto deram origem a uma escola distinta entre os seguidores de Gaura-Nity\u0101nanda. Sua contribui\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria foi seguida por duas outras obras em sua linhagem, cada uma surgida aproximadamente um s\u00e9culo depois da anterior. <em>Mural\u012b-vil\u0101sa<\/em> \u00e9 uma biografia de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura, do s\u00e9culo XVII, escrita por R\u0101javallabha Gosv\u0101m\u012b. <em>Va\u1e41\u015b\u012b-\u015bik\u1e63\u0101<\/em> \u00e9 uma obra de Premad\u0101sa Mi\u015bra, escrita no s\u00e9culo XVIII.<sup data-fn=\"56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374\" class=\"fn\"><a href=\"#56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374\" id=\"56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374-link\">4<\/a><\/sup> Assim, R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura foi bem-sucedido em estabelecer, no final do s\u00e9culo XVI, uma teologia baseada na dos Gosv\u0101m\u012bs, mas com suas pr\u00f3prias particularidades teol\u00f3gicas. E essa escola continua existindo at\u00e9 hoje. Mas R\u0101m\u0101i n\u00e3o foi bem-sucedido em convencer a corrente principal do Gau\u1e0d\u012bya Vai\u1e63\u1e47avismo acerca da totalidade de seu Balar\u0101ma\/Ana\u1e45ga <em>tattva<\/em>.<sup data-fn=\"36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0\" class=\"fn\"><a href=\"#36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0\" id=\"36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0-link\">5<\/a><\/sup> Dito isso, em um sentido bastante limitado, parte de sua teologia foi acolhida por membros proeminentes da linhagem Gau\u1e0d\u012bya ainda durante sua vida e acabou encontrando lugar em textos centrais da tradi\u00e7\u00e3o Gau\u1e0d\u012bya.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 vimos, Kavi-kar\u1e47ap\u016bra aceitou a ideia de que J\u0101hn\u0101va possui uma <em>svar\u016bpa<\/em> na K\u1e5b\u1e63\u1e47a <em>l\u012bl\u0101<\/em> tanto como Revat\u012b (<em>ai\u015bvarya-bh\u0101va<\/em>) quanto como Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b (<em>m\u0101dhurya-bh\u0101va<\/em>).<sup data-fn=\"c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee\" class=\"fn\"><a href=\"#c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee\" id=\"c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee-link\">6<\/a><\/sup> Embora seu <em>Gaura-ga\u1e47odde\u015ba-d\u012bpik\u0101<\/em> seja anterior ao <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>, sua ideia central de que J\u0101hn\u0101va \u00e9 Ana\u1e45ga certamente prov\u00e9m de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura e de seus associados mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<p>K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa Kavir\u0101ja, t\u00e3o fiel \u00e0 teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, tamb\u00e9m parece sugerir a possibilidade de que Ana\u1e45ga seja identificada com Ananta \u015ae\u1e63a, expans\u00e3o de Balar\u0101ma. Ele o faz em seu <em>Govinda-l\u012bl\u0101m\u1e5bta<\/em>, que tamb\u00e9m \u00e9 anterior ao <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>. Mas, como vemos no texto de Kavi-kar\u1e47ap\u016bra, a concep\u00e7\u00e3o de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura j\u00e1 circulava antes que ele a colocasse por escrito.<\/p>\n\n\n\n<p>No <em>Govinda-l\u012bl\u0101m\u1e5bta<\/em>, durante os passatempos do meio-dia, Kundalat\u0101 diz a K\u1e5b\u1e63\u1e47a, em tom de brincadeira, que os nove planetas e as dez dire\u00e7\u00f5es devem ser adorados antes que o sacrif\u00edcio a Cupido \u2014 a uni\u00e3o de R\u0101dh\u0101 e K\u1e5b\u1e63\u1e47a \u2014 possa prosseguir. Em resposta, K\u1e5b\u1e63\u1e47a pergunta os nomes e as posi\u00e7\u00f5es daqueles que governam as dez dire\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o Kundalat\u0101, em tom de brincadeira, piscando para suas amigas, diz a K\u1e5b\u1e63\u1e47a que todos os deuses das dire\u00e7\u00f5es vieram \u00e0 sua presen\u00e7a, ansiosos por satisfazer seus desejos. Depois de identificar oito <em>gop\u012bs<\/em> com oito dire\u00e7\u00f5es diferentes e com os respectivos deuses que as presidem, ela conclui com as duas dire\u00e7\u00f5es restantes, acima e abaixo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>R\u016bpa-ma\u00f1jar\u012b (acima), aqui diante de voc\u00ea, \u00e9 Brahm\u0101, e Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b (abaixo), h\u00e1bil em criar bem-aventuran\u00e7a em <em>rasa<\/em>, \u00e9 \u015ae\u1e63a. (<em>Govinda-l\u012bl\u0101m\u1e5bta<\/em> 9.96\u201398)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Obviamente, R\u016bpa Gosv\u0101m\u012b n\u00e3o \u00e9 propriamente Brahm\u0101, mas, em sua obra posterior, o <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em>, K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa de fato compara R\u016bpa Gosv\u0101m\u012b a Brahm\u0101: Assim como K\u1e5b\u1e63\u1e47a revelou as verdades v\u00e9dicas a Brahm\u0101, Gaura K\u1e5b\u1e63\u1e47a revelou todas elas a R\u016bpa Gosv\u0101m\u012b. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que, ao identificar Ana\u1e45ga com \u015ae\u1e63a, K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa tivesse em mente algo mais do que uma simples brincadeira. Talvez uma quest\u00e3o ontol\u00f3gica?<\/p>\n\n\n\n<p>Um s\u00e9culo depois, Vi\u015bvan\u0101tha Cakravart\u012b \u1e6ch\u0101kura interpreta dessa maneira. Em seu <em>Gaur\u0101\u1e45ga-ga\u1e47a-svar\u016bpa-tattva-candrik\u0101<\/em>, ele descreve \u015ae\u1e63a manifestando-se como todos os leitos em que K\u1e5b\u1e63\u1e47a repousa, auxiliando-o assim em seus passatempos amorosos. Em seguida, ele identifica \u015ae\u1e63a com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b e remete seus leitores ao Govinda-l\u012bl\u0101m\u1e5bta em apoio a essa posi\u00e7\u00e3o, citando a brincadeira de Kundalat\u0101 mencionada acima.<sup data-fn=\"c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418\" class=\"fn\"><a href=\"#c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418\" id=\"c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418-link\">7<\/a><\/sup> No entanto, Vi\u015bvan\u0101tha Cakravart\u012b \u1e6ch\u0101kura n\u00e3o cita o <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em> em apoio \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em seu <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em>, publicado depois do <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>, K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa Kavir\u0101ja Gosv\u0101m\u012b n\u00e3o menciona qualquer rela\u00e7\u00e3o entre Ana\u1e45ga e Balar\u0101ma, apesar de apresentar uma extensa explica\u00e7\u00e3o sobre o Balar\u0101ma\/Nity\u0101nanda <em>tattva<\/em>. Essa \u00faltima obra de K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa tinha o prop\u00f3sito de permanecer fiel \u00e0 teologia dos Gosv\u0101m\u012bs e, ao mesmo tempo, de rejeitar outras perspectivas teol\u00f3gicas, seja diretamente, seja indiretamente por meio de omiss\u00f5es.<sup data-fn=\"6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6\" class=\"fn\"><a href=\"#6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6\" id=\"6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6-link\">8<\/a><\/sup> \u00c9 digno de nota que o <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em> n\u00e3o menciona J\u0101hn\u0101va, muito menos Ana\u1e45ga. Tampouco o faz V\u1e5bnd\u0101vana d\u0101sa, autor do <em>Caitanya-bh\u0101gavata<\/em>, obra \u00e0 qual K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa se refere repetidamente com defer\u00eancia. E V\u1e5bnd\u0101vana d\u0101sa \u00e9, naturalmente, um devoto de Nity\u0101nanda-r\u0101ma em <em>sakhya-ras<\/em>a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, durante a \u00e9poca de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura e por um bom tempo depois, sua teologia, embora permanecesse viva e atuante, continuou sendo uma escola \u00e0 parte, em vez de se integrar plenamente \u00e0 corrente principal do Gau\u1e0d\u012bya Vai\u1e63\u1e47avismo ortodoxo. E somente as ideias de que J\u0101hn\u0101va, consorte de Nit\u0101i, \u00e9 Ana\u1e45ga e de que, portanto, Ana\u1e45ga \u00e9 a <em>\u015bakti<\/em> de Balar\u0101ma alcan\u00e7aram uma aceita\u00e7\u00e3o mais ampla. No entanto, deve-se observar que, mesmo na pr\u00f3pria linhagem de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura, o <em>Va\u1e41\u015b\u012b-\u015bik\u1e63\u0101<\/em> de Premad\u0101sa n\u00e3o aceita a identifica\u00e7\u00e3o feita por R\u0101m\u0101i entre J\u0101hn\u0101va e Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b.<sup data-fn=\"5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da\" class=\"fn\"><a href=\"#5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da\" id=\"5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da-link\">9<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Nos tempos modernos, Bhaktivinoda \u1e6ch\u0101kura recebeu <em>d\u012bk\u1e63\u0101<\/em> na linhagem de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura. No entanto, em seus numerosos escritos, ele jamais cita o <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>. E sua teologia acerca do Balar\u0101ma\/Nity\u0101nanda <em>tattva<\/em> permanece fiel \u00e0 dos Gosv\u0101m\u012bs. Em seus escritos, Bhaktivinoda n\u00e3o adota a ideia de que Nity\u0101nanda-r\u0101ma seja uma combina\u00e7\u00e3o de Ana\u1e45ga e Balar\u0101ma em busca de <em>m\u0101dhurya-rasa<\/em>, tendo \u015ar\u012b Caitanya como objeto de seu <em>parak\u012bya-bh\u0101va<\/em>. E deve ficar absolutamente claro para os leitores que o afastamento de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura da teologia dos Gosv\u0101m\u012bs acaba conduzindo a alguma forma de gaura<em>-n\u0101gara-bh\u0101va e a <\/em>um reino imaginado no qual Nity\u0101nanda Prabhu serve Gaur\u0101\u1e45ga em uma forma feminina, em <em>parak\u012bya-bh\u0101va<\/em>.<sup data-fn=\"31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43\" class=\"fn\"><a href=\"#31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43\" id=\"31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43-link\">10<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Bhaktivinoda \u1e6ch\u0101kura identifica J\u0101hn\u0101va com Ana\u1e45ga e, por extens\u00e3o, aceita que Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b \u00e9 a <em>\u015bakti<\/em> de Balar\u0101ma e que R\u0101ma n\u00e3o mant\u00e9m nenhuma rela\u00e7\u00e3o amorosa com ela. Ele tamb\u00e9m aspira a entrar no grupo de R\u016bpa-ma\u00f1jar\u012b, sob Lalit\u0101-sakh\u012b, como um r\u016bp\u0101nuga, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b, a quem tamb\u00e9m deseja servir.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mencionado no cap\u00edtulo 2, na circunfer\u00eancia deste livro, a unidade entre Ana\u1e45ga e Balar\u0101ma enquanto <em>\u015bakti<\/em> e <em>\u015baktim\u0101n<\/em> n\u00e3o situa Balar\u0101ma\/Nity\u0101nanda em <em>m\u0101dhurya-rasa<\/em>. Eles s\u00e3o um na medida em que a <em>\u015bakti<\/em> de R\u0101ma pertence a ele e n\u00e3o \u00e9 uma entidade independente. Mas, apesar da unidade em <em>tattva<\/em> entre <em>\u015bakti<\/em> e <em>\u015baktim\u0101n<\/em>, ambos possuem identidades pr\u00f3prias e participa\u00e7\u00f5es distintas na <em>l\u012bl\u0101<\/em>: R\u0101ma em <em>sakhya-rasa<\/em> e Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b em <em>m\u0101dhurya-rasa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ensinamento sobre o <em>bhed\u0101bheda<\/em> entre <em>\u015bakti<\/em> e <em>\u015baktim\u0101n<\/em> \u00e9 o que o pr\u00f3prio R\u016bpa Gosv\u0101m\u012b ensina. No entanto, ele, no m\u00ednimo, guarda sil\u00eancio quanto \u00e0 ideia de que J\u0101hn\u0101va, consorte de Nity\u0101nanda-r\u0101ma, seja Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b na Vraja <em>l\u012bl\u0101 <\/em>e, portanto, a <em>\u015bakti<\/em> de Balar\u0101ma. Embora esse sil\u00eancio possa parecer significativo para alguns, esse aspecto da teologia apresentada no <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>, considerado isoladamente e deixando de lado orestante da obra, n\u00e3o precisa ser visto como algo que contradiz os ensinamentos de \u015ar\u012b R\u016bpa. Diversos vai\u1e63\u1e47avas r\u016bp\u0101nugas convictos o aceitaram. Vimos que Kavi-kar\u1e47ap\u016bra aceitou essa possibilidade, e pode-se argumentar que K\u1e5b\u1e63\u1e47ad\u0101sa Kavir\u0101ja a tenha sugerido. Vi\u015bvan\u0101tha Cakravart\u012b tamb\u00e9m a aceitou, assim como \u1e6ch\u0101kura Bhaktivinoda. E essa perspectiva continua viva e bem estabelecida no Bhaktivinoda <em>pariv\u0101ra<\/em> que segue Bhaktisiddh\u0101nta Saraswat\u012b \u1e6ch\u0101kura.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste artigo, descrevi essa perspectiva teol\u00f3gica como \u201cpeculiar\u201d \u2014 a ideia de que a <em>\u015bakti <\/em>prim\u00e1ria de Balar\u0101ma n\u00e3o mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o amorosa com ele, mas sim com K\u1e5b\u1e63\u1e47a. Talvez, por\u00e9m, \u201csingular\u201d seja uma descri\u00e7\u00e3o mais adequada entre as consortes de Deus. Afinal, segundo essa perspectiva, ela de fato mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o com Balar\u0101ma quando este se manifesta na Gaura <em>l\u012bl\u0101<\/em> como Nity\u0101nanda-r\u0101ma. Jaya R\u0101ma! Jaya K\u1e5b\u1e63\u1e47a! Jaya R\u0101dhe!<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"1c9eb000-ae53-4075-9461-5d791422cfdc\"> <br>Dhy\u0101nacandra Gosv\u0101m\u012b de fato se refere a esse di\u00e1logo, atribuindo-o ao <em>Brahm\u0101\u1e47\u1e0da Pur\u0101\u1e47a<\/em> e informando seus leitores de que o <em>mantra<\/em> para a adora\u00e7\u00e3o de Nity\u0101nanda Prabhu se encontra nele. No entanto, se de fato estiver ali, trata-se quase certamente de uma interpola\u00e7\u00e3o. O texto propriamente dito desse <em>Pur\u0101\u1e47a<\/em> n\u00e3o trata do Gau\u1e0d\u012bya Vai\u1e63\u1e47avismo, que ele antecede em v\u00e1rios s\u00e9culos. <a href=\"#1c9eb000-ae53-4075-9461-5d791422cfdc-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"3b61ae7c-329e-4d89-93f5-cd0978fd821c\"> <br>Em 4.22, R\u0101m\u0101i pergunta retoricamente: se ele n\u00e3o revelar essas <em>l\u012bl\u0101s<\/em> \u2014 apresentadas nas ondas 3 e 4 \u2014, quem saber\u00e1 delas? Parece que, em sua concep\u00e7\u00e3o, o mesmo se aplica ao <em>tattva<\/em> apresentado neste livro. <a href=\"#3b61ae7c-329e-4d89-93f5-cd0978fd821c-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e57a0aed-72bf-4b5a-be46-8ae2fd7e8bab\"> <br>Este \u00e9 outro texto obscuro, se n\u00e3o desconhecido. <a href=\"#e57a0aed-72bf-4b5a-be46-8ae2fd7e8bab-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374\"> <br>Esse texto inclui a teologia Rasar\u0101ja, na qual o amor rom\u00e2ntico por K\u1e5b\u1e63\u1e47a \u2014 <em>k\u0101nta-bh\u0101va<\/em> \u2014 \u00e9 considerado prefer\u00edvel a <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va<\/em>. Na teologia Rasar\u0101ja, Gaura K\u1e5b\u1e63\u1e47a tamb\u00e9m \u00e9 considerado um objeto adequado de amor rom\u00e2ntico \u2014 <em>gaura-n\u0101gara-bh\u0101va<\/em>. Ambas as perspectivas constituem um afastamento ainda maior da teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, na qual <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va<\/em> \u00e9 considerado prefer\u00edvel a <em>k\u0101nta-bh\u0101va<\/em> e Gaura K\u1e5b\u1e63\u1e47a n\u00e3o \u00e9 considerado um objeto adequado de amor rom\u00e2ntico. Seguindo a teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, Bhaktivinoda \u1e6ch\u0101kura escreve no cap\u00edtulo 39 de seu <em>Jaiva Dharma<\/em>: \u201cJamais cometa o erro de pensar que, pelo fato de K\u1e5b\u1e63\u1e47a ter aparecido em Navadv\u012bpa <em>dh\u0101ma<\/em> para ensinar a adora\u00e7\u00e3o a si mesmo em <em>parak\u012bya-bh\u0101va<\/em>, \u015ar\u012b Caitanya seja, portanto, o amante extraconjugal de Navadv\u012bpa.\u201d Embora pouqu\u00edssimos versos aparentemente relacionados a n\u0101gara-bh\u0101<em>va apare\u00e7am<\/em> em uma edi\u00e7\u00e3o antiga da revista <em>Sajjana-to\u1e63a\u1e47\u012b <\/em>do \u1e6ch\u0101kura (1881), sua afirma\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca no <em>Jaiva Dharma<\/em> foi publicada em 1893, e depois disso ele jamais mudou sua posi\u00e7\u00e3o sobre o tema. <a href=\"#56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0\"> <br>No entanto, algumas seitas al\u00e9m da pr\u00f3pria linhagem de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura tamb\u00e9m adotaram sua identifica\u00e7\u00e3o de Nity\u0101nanda-r\u0101ma com R\u0101dh\u0101, bem como a ideia de que Balar\u0101ma, em \u00faltima an\u00e1lise, saboreia <em>m\u0101dhurya-rasa<\/em>, tendo K\u1e5b\u1e63\u1e47a como objeto de seu amor. O grupo Gau\u1e0d\u012bya de orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional que segue R\u0101dh\u0101 Rama\u1e47a Cara\u1e47a d\u0101sa B\u0101b\u0101j\u012b \u00e9 um exemplo. Ver o texto <em>Carita-sudh\u0101<\/em>, no qual isso \u00e9 sugerido. <a href=\"#36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee\"> <br>No <em>Gaura-ga\u1e47odde\u015ba-d\u012bpik\u0101<\/em> 184, Gop\u0101la Bha\u1e6d\u1e6da Gosv\u0101m\u012b tamb\u00e9m \u00e9 identificado tanto com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b quanto com Gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b. No entanto, as fam\u00edlias Gosv\u0101m\u012b de R\u0101dh\u0101-rama\u1e47a, que seguem Gop\u0101la Bha\u1e6d\u1e6da Gosv\u0101m\u012b, referem-se a ele como Gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b (ver Gop\u0101la-bha\u1e6d\u1e6da-\u015batakam 71 \u2014 ya iha ku\u00f1ja-g\u1e5bhe gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b). <a href=\"#c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418\"> <br>Ver <em>Gaur\u0101\u1e45ga-ga\u1e47a-svar\u016bpa-tattva-candrik\u0101<\/em> 34\u201338. <a href=\"#c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 7\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6\"> <br>Em <em>The Final Word<\/em>, Tony Stewart apresenta de forma convincente o <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em> como o texto que serviu para estabelecer a compreens\u00e3o ortodoxa da teologia Gau\u1e0d\u012bya Vai\u1e63\u1e47ava no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. Tony K. Stewart, The Final Word: The Caitanya Carit\u0101m\u1e5bta and the Grammar of Religious Tradition (Nova York: Oxford University Press, 2010). <a href=\"#6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 8\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da\"> <br>Amiya P. Sen, Chaitanya:<em><a href=\"https:\/\/oxford.universitypressscholarship.com\/view\/10.1093\/oso\/9780199493838.001.0001\/oso-9780199493838\"> <\/a><\/em>A Life and Legacy (Nova D\u00e9lhi: Oxford University Press, 2019), 123. No <em>Va\u1e41\u015b\u012b-\u015bik\u1e63\u0101<\/em>, Va\u1e41\u015b\u012bvadana \u1e6ch\u0101kura, av\u00f4 de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura, \u00e9 identificado com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b em vez de J\u0101hn\u0101va. Assim, encontramos uma divis\u00e3o significativa dentro da linhagem de Baghnapara quanto a esse ponto central do <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>. <a href=\"#5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43\"> <br>Al\u00e9m da Gaura <em>l\u012bl\u0101<\/em> (<em>praka\u1e6da<\/em> ou <em>apraka\u1e6da<\/em>), o <em>gaura-n\u0101gara-bh\u0101va<\/em> postula sua pr\u00f3pria <em>l\u012bl\u0101<\/em> em estado de sonho, na qual se considera que os <em>s\u0101dhakas<\/em> possuem <em>svar\u016bpas<\/em> femininas por meio das quais experimentam amor rom\u00e2ntico com Gaurasundara. Mesmo assim, a ideia de que Nity\u0101nanda Prabhu possua tal <em>svar\u016bpa<\/em> n\u00e3o \u00e9 unanimemente aceita entre os seguidore<em>s <\/em>do<em> n\u0101gara-bh\u0101va<\/em> e de outras seitas relacionadas que se encontram fora da corrente principal. <a href=\"#31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 10\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Swami \u015ar\u012b Bhaktivedanta Tripurari, extra\u00eddo de seu novo livro, C\u00edrculo de Amigos, como parte de uma s\u00e9rie de artigos sobre Balar\u0101ma Tattva. 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Ambas as perspectivas constituem um afastamento ainda maior da teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, na qual <em>ma\u00f1jar\u012b-bh\u0101va<\/em> \u00e9 considerado prefer\u00edvel a <em>k\u0101nta-bh\u0101va<\/em> e Gaura K\u1e5b\u1e63\u1e47a n\u00e3o \u00e9 considerado um objeto adequado de amor rom\u00e2ntico. Seguindo a teologia dos Gosv\u0101m\u012bs, Bhaktivinoda \u1e6ch\u0101kura escreve no cap\u00edtulo 39 de seu <em>Jaiva Dharma<\/em>: \u201cJamais cometa o erro de pensar que, pelo fato de K\u1e5b\u1e63\u1e47a ter aparecido em Navadv\u012bpa <em>dh\u0101ma<\/em> para ensinar a adora\u00e7\u00e3o a si mesmo em <em>parak\u012bya-bh\u0101va<\/em>, \u015ar\u012b Caitanya seja, portanto, o amante extraconjugal de Navadv\u012bpa.\u201d Embora pouqu\u00edssimos versos aparentemente relacionados a n\u0101gara-bh\u0101<em>va apare\u00e7am<\/em> em uma edi\u00e7\u00e3o antiga da revista <em>Sajjana-to\u1e63a\u1e47\u012b <\/em>do \u1e6ch\u0101kura (1881), sua afirma\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca no <em>Jaiva Dharma<\/em> foi publicada em 1893, e depois disso ele jamais mudou sua posi\u00e7\u00e3o sobre o tema.\",\"id\":\"56225885-b4f1-4e5c-bce0-704b394a5374\"},{\"content\":\" <br>No entanto, algumas seitas al\u00e9m da pr\u00f3pria linhagem de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura tamb\u00e9m adotaram sua identifica\u00e7\u00e3o de Nity\u0101nanda-r\u0101ma com R\u0101dh\u0101, bem como a ideia de que Balar\u0101ma, em \u00faltima an\u00e1lise, saboreia <em>m\u0101dhurya-rasa<\/em>, tendo K\u1e5b\u1e63\u1e47a como objeto de seu amor. O grupo Gau\u1e0d\u012bya de orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional que segue R\u0101dh\u0101 Rama\u1e47a Cara\u1e47a d\u0101sa B\u0101b\u0101j\u012b \u00e9 um exemplo. Ver o texto <em>Carita-sudh\u0101<\/em>, no qual isso \u00e9 sugerido.\",\"id\":\"36c1d3dc-de78-4eaf-b084-3c042f6084e0\"},{\"content\":\" <br>No <em>Gaura-ga\u1e47odde\u015ba-d\u012bpik\u0101<\/em> 184, Gop\u0101la Bha\u1e6d\u1e6da Gosv\u0101m\u012b tamb\u00e9m \u00e9 identificado tanto com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b quanto com Gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b. No entanto, as fam\u00edlias Gosv\u0101m\u012b de R\u0101dh\u0101-rama\u1e47a, que seguem Gop\u0101la Bha\u1e6d\u1e6da Gosv\u0101m\u012b, referem-se a ele como Gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b (ver Gop\u0101la-bha\u1e6d\u1e6da-\u015batakam 71 \u2014 ya iha ku\u00f1ja-g\u1e5bhe gu\u1e47a-ma\u00f1jar\u012b).\",\"id\":\"c123c0ee-4dd3-4454-8326-1b032a3278ee\"},{\"content\":\" <br>Ver <em>Gaur\u0101\u1e45ga-ga\u1e47a-svar\u016bpa-tattva-candrik\u0101<\/em> 34\u201338.\",\"id\":\"c34d8eda-cbd4-4cba-a2a6-df22959b3418\"},{\"content\":\" <br>Em <em>The Final Word<\/em>, Tony Stewart apresenta de forma convincente o <em>Caitanya-carit\u0101m\u1e5bta<\/em> como o texto que serviu para estabelecer a compreens\u00e3o ortodoxa da teologia Gau\u1e0d\u012bya Vai\u1e63\u1e47ava no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. Tony K. Stewart, The Final Word: The Caitanya Carit\u0101m\u1e5bta and the Grammar of Religious Tradition (Nova York: Oxford University Press, 2010).\",\"id\":\"6686c8fa-2333-4088-9fe2-e693df2386c6\"},{\"content\":\" <br>Amiya P. Sen, Chaitanya:<em><a href=\\\"https:\/\/oxford.universitypressscholarship.com\/view\/10.1093\/oso\/9780199493838.001.0001\/oso-9780199493838\\\"> <\/a><\/em>A Life and Legacy (Nova D\u00e9lhi: Oxford University Press, 2019), 123. No <em>Va\u1e41\u015b\u012b-\u015bik\u1e63\u0101<\/em>, Va\u1e41\u015b\u012bvadana \u1e6ch\u0101kura, av\u00f4 de R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura, \u00e9 identificado com Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b em vez de J\u0101hn\u0101va. Assim, encontramos uma divis\u00e3o significativa dentro da linhagem de Baghnapara quanto a esse ponto central do <em>Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101<\/em>.\",\"id\":\"5c46c2a6-f279-4ec0-aa78-a3190a7738da\"},{\"content\":\" <br>Al\u00e9m da Gaura <em>l\u012bl\u0101<\/em> (<em>praka\u1e6da<\/em> ou <em>apraka\u1e6da<\/em>), o <em>gaura-n\u0101gara-bh\u0101va<\/em> postula sua pr\u00f3pria <em>l\u012bl\u0101<\/em> em estado de sonho, na qual se considera que os <em>s\u0101dhakas<\/em> possuem <em>svar\u016bpas<\/em> femininas por meio das quais experimentam amor rom\u00e2ntico com Gaurasundara. Mesmo assim, a ideia de que Nity\u0101nanda Prabhu possua tal <em>svar\u016bpa<\/em> n\u00e3o \u00e9 unanimemente aceita entre os seguidore<em>s <\/em>do<em> n\u0101gara-bh\u0101va<\/em> e de outras seitas relacionadas que se encontram fora da corrente principal.\",\"id\":\"31eb1b68-eecb-4d2d-a1c7-5dba81655a43\"}]"},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1125","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>R\u0101m\u0101i \u1e6ch\u0101kura e Ana\u1e45ga-ma\u00f1jar\u012b-sampu\u1e6dik\u0101 - Sw\u0101m\u012b B.V. 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