Por Śrī Rūpa Goswāmī, com comentários de Swāmi BV Tripurāri
yasyāntare miśra-purandarasya
svānanda-gamyaika-padaṁ nivāsaḥ
śrī-gaura-janmādika-līlayāḍhyas
taṁ śrī-navadvīpam ahaṁ smarāmi
Em meditação, recordo-me de Śrī Navadvīpa-dhāma, cujo centro é a morada bem-aventurada de Miśra Purandara, enriquecida pela janma-līlā de Śrī Gaura Hari.
Comentário
O centro das nove ilhas de Navadvīpa é Antardvīpa, em torno da qual as demais ilhas se dispõem como as pétalas de um lótus. Esta ilha central, na margem oriental do Gaṅgā, corresponde a Mahāvana Gokula, o local de nascimento de Kṛṣṇa em sua līlā de Vraja. Aqui, em Antardvīpa, durante a prakaṭa-līlā, e na casa de Miśra Purandara, Gaura Hari nasceu como o mais novo dos dois filhos de Jagannātha Miśra. Seu pai deu-lhe o nome de Viśvambhara.
O título purandara foi dado a Jagannātha Miśra, designando-o como o mais qualificado / principal entre os sete filhos de Upendra Miśra, assim como o filho do meio, Nanda, entre os cinco filhos do vaqueiro Parjanya Mahārāja, foi o mais qualificado. Essa condição de Nanda e Jagannātha era um consenso dentro de suas famílias e, como tal, era celebrada. E assim como Nanda e Yaśodā deram à luz a Kṛṣṇa, Jagannātha e Śacī deram à luz a Gaura Kṛṣṇa.
However, in the prakaṭa-līlā Jagannātha Miśra passed away before his son left home as a renunciate, becoming the celebrated Śrī Kṛṣṇa Caitanya. A aceitação da vida renunciada por Gaura Hari, que o levou a deixar Navadvīpa e resultou na ampla disseminação do prema-dharma, corresponde à saída de Kṛṣṇa de Vṛndāvana para estabelecer o mesmo, ainda que de modo mais oculto no caso de Kṛṣṇa. Kṛṣṇa deixa Vṛndāvana para estabelecer o dharma, mas, se alguém presta atenção cuidadosa às suas līlās em Mathurā e Dvārakā, compreende que, entrelaçado nessas līlās, há a exposição da excelência da Vraja līlā, a mais plena medida do prema-dharma expressa na separação. É o amor em separação que caracteriza a prakaṭa-līlā de Kṛṣṇa e revela que, na sua ausência física de Vraja, ele está mais presente ali do que em Mathurā e Dvārakā, apesar de sua presença física nesses locais. Onde quer que haja amor por Kṛṣṇa, e nessa medida, Kṛṣṇa está presente. Os dois estão inseparavelmente entrelaçados.
O falecimento precoce de Jagannātha Miśra está relacionado ao fato de que foi Nanda Mahārāja quem acompanhou Kṛṣṇa até Mathurā e prometeu trazê-lo de volta em pouco tempo, promessa que ele não pôde cumprir. Ele retornou sem seu filho, trazendo consigo a dor da separação de Yaśodā e de todos os demais, juntamente com a sua própria. Na līlā de Gaura, Nanda, aparecendo como Jagannātha Miśra, não pôde passar por isso novamente e deixou a tarefa de mitigar a separação sentida pelos devotos de Navadvīpa, resultante dos votos de renúncia de seu filho, a Śacī, que sabiamente sugeriu que seu filho residisse em Jagannātha Purī, um segundo aposento juntamente com Navadvīpa, na mesma casa. De lá, seus devotos podiam ouvir sobre seus feitos e também visitá-lo sob o pretexto de observar o Ratha-yātrā de Jagannātha Svāmī, sem levantar suspeitas sobre sua renúncia. Jaya Śacī-nandana! Quem pode compreender as profundezas do vatsālya-prema de seus pais!
Claro, ninguém em Vraja culpou Nanda por não conseguir retornar com Kṛṣṇa; eles sabiam que a dor da separação de Nanda incluía a deles próprios e compreendiam as circunstâncias atenuantes que cercavam a aparente necessidade de Kṛṣṇa permanecer em Mathurā. E tampouco podemos culpar Jagannātha Miśra por ter partido antes da aceitação de sannyāsa por seu filho. Aqui, Śrī Rūpa louva a casa sobre a qual ele preside e na qual apareceu Śrī Śacī-nandana. Miśra Purandara reside ali eternamente na nitya-līlā de Gaura, como o Nanda da ācārya-līlā de Gaura Kṛṣṇa.
(Artigo original em Śrī Navadvīpāṣṭakam 7 | Harmonist)