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Casto e Puro

Artigo original 09/07/2009

O ideal ao qual todos os devotos aspiram é a dedicação exclusiva a śrī guru. Isso certamente envolve castidade, mas, em um nível mais elevado, envolve também pureza, que abrange a expressão dinâmica da castidade. É possível ser casto sem ser puro, mas não é possível ser puro sem ser casto, pois alcançar a pureza no caminho espiritual depende da graça de śrī guru. Somente quando o guru está satisfeito com seu discípulo é que este pode alcançar a pureza, e ninguém pode agradar a seu guru abandonando-o ou relativizando sua importância — ou seja, deixando de ser casto.

A castidade, diferentemente da pureza, envolve certo grau de contenção. Os famosos cintos de castidade da antiga Europa cristã são um bom exemplo disso. Enquanto a pureza implica a ausência de tentação, a castidade envolve o controle dos próprios impulsos e ações, muitas vezes por meio do afastamento físico daquilo que desperta a tentação.

Esse tipo de castidade tem suas vantagens: as más influências são mantidas à distância e a tentação é reduzida ao mínimo. No entanto, o fruto dessas vantagens também traz consigo a semente de um risco: o fechamento em si mesmo. No vazio criado por esse isolamento, o tempo parece parar. Se alguém permanece nesse vazio mesmo depois de colher os frutos desse recolhimento, sem interiorizar a própria castidade e seguir adiante, o resultado é uma rápida desaceleração do crescimento pessoal e uma perda de eficácia na prédica.

Entrar no universo mais amplo do Gauḍīya Vaiṣṇavismo, conhecer outros devotos e diferentes concepções, distinguir o relativo do absoluto, o siddhānta das concepções equivocadas — tudo isso coloca o devoto diante de tensões e desafios que põem sua fé à prova. Nem todos estão prontos para fazer a transição da castidade marcada pelo fechamento em si mesmo para o estágio intermediário que conduz à verdadeira pureza, mas aquele cuja fé é suficientemente forte sabe que permanecer por tempo demais nesse ninho de isolamento acaba prejudicando o desenvolvimento de seu serviço a śrī guru.

No início, é natural e perfeitamente apropriado que o guru instrua seu discípulo a ouvir somente a ele. Śrī guru ergue uma cerca em torno da jovem árvore que representa seu discípulo, protegendo-o das influências externas durante os primeiros e delicados anos de seu crescimento devocional. Mas, com o tempo, quando essa árvore estiver forte e saudável, ela se estenderá para além da cerca. E, mantendo suas raízes firmes, ela se integrará espontaneamente ao ambiente. Se o discípulo souber ouvir, acabará percebendo que o guru está em toda parte. O discípulo reconhece a universalidade de śrī guru e compreende que seu guru iniciador (dīkṣā) pode falar com ele por meio de outros devotos que, por sua pureza, são capazes de atuar como gurus instrutores (śikṣā). O discípulo também passa a reconhecer śrī guru nos próprios movimentos da natureza. O mundo ganha vida pela influência de śrī guru, e tudo ao redor se torna acolhedor. A grama ora e as árvores abraçam. A grama orou a Śrī Caitanya com sua lição de humildade; a árvore o abraçou com seu ensinamento sobre a tolerância. O mundo consciente habita nas palavras do sábio e venerável śrī gurudeva.

O Bhāgavata nos ensina que, embora a verdade seja uma, é necessário mais de um mestre para conhecê-la profundamente: na hy ekasmād guror jñānaṁ su-sthiraṁ syāt supuṣkalam. Nessa passagem, vemos o discípulo aprender com a natureza — com a terra, as árvores, os insetos e assim por diante. Śrī Jīva Gosvāmī explica que o discípulo avançado percebe os ensinamentos recebidos de seu guru iniciador se manifestarem nos movimentos da natureza, como se a própria natureza lhe transmitisse esses ensinamentos. Assim, o discípulo honra os diversos mestres da natureza como seus śikṣā-gurus.

Idealmente, não é a falta de fé no próprio dīkṣā-guru que leva alguém a buscar um śikṣā-guru. Reconhecer seu śikṣā-guru é um exercício de fé que a alimenta e fortalece. Ao contrário da fé forte, a fé fraca precisa de um inimigo. Como já disse, isso pode ter sua função — mas não na eternidade.

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