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Gaura: Kṛṣṇa em Crise

Artigo original 14/06/2009

Em sua busca pelo amor mais elevado durante sua līlā na terra, Rasarāja Kṛṣṇa ficou perplexo ao experimentar a dimensão do amor de Rādhā, pois esse amor excedia tudo o que Kṛṣṇa havia experimentado até então. Como sempre se considerara o rei do amor, essa experiência lançou Kṛṣṇa em uma crise existencial, obrigando-o a fazer a difícil pergunta: “Sou realmente o rei do amor, quando é evidente que o amor de Rādhā supera tudo o que já experimentei?” Como o propósito principal de seu advento — saborear o amor mais elevado — havia sido frustrado, sua capacidade de cumprir o propósito secundário — transmitir ao mundo ensinamentos sobre o amor — também ficou comprometida.

Para resolver essas duas crises, Kṛṣṇa, fiel à sua natureza, tentou roubar os sentimentos de Rādhā. Um ladrão astuto sabe onde se esconder. Para onde foi Śyāma? Aquele belo ladrão de tez escura escondeu-se na era das trevas, Kali-yuga, disfarçando-se de sādhu. No entanto, aquilo que ele roubou era mais brilhante do que milhões de sóis. Assim, quando seus devotos — os mais queridos de Rādhā — foram procurá-lo, não foi difícil encontrá-lo.

Percebendo que provavelmente seria capturado por seus devotos, Kṛṣṇa começou a distribuir o que havia roubado para despistá-los, dizendo a cada um que passasse adiante o que recebesse. Isso, porém, só piorou as coisas, pois, ao verem a distribuição de prema, seus devotos começaram a desconfiar. Eles sabiam que um amor tão brilhante quanto o de Rādhā só poderia ser experimentado em relação ao próprio Kṛṣṇa e que, portanto, Kṛṣṇa devia estar entre eles. Além disso, embora Kṛṣṇa tivesse tentado distribuir o que havia roubado, o prema, por sua própria natureza, só aumentava dentro dele, tornando dourada sua tez. Atraídos por seu brilho dourado e impressionados com a dimensão de seu prema, seus devotos passaram a chamá-lo de Gaura Kṛṣṇa e a proclamar essa verdade ao mundo inteiro. Por fim, esse Kṛṣṇa dourado, cativo das duas melhores amigas de Rādhā, escreveu sua confissão em oito estrofes, implorando por misericórdia. Somente depois de receber essa misericórdia pôde compreender as consequências do que havia feito e saborear plenamente o amor de Rādhā.

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